
Fonte da Imagem: Pixabay
Projeto, que regulamenta a monofasia do ICMS sobre os combustível, agora vai para sanção presidencial.
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta sexta-feira (11/3) o PLP 11/2020, sobre tributação de combustíveis. O projeto modifica a incidência do ICMS e de outros tributos sobre combustíveis.
O texto da Câmara tem apenas uma diferença em relação ao que havia sido analisado horas antes pelos senadores. O relator, deputado Dr. Jaziel (PL-CE), retirou da proposta o “gatilho” – mecanismo que permitia o reajuste extraordinário das alíquotas em casos de alteração súbita no preço do petróleo. “Se o texto visa justamente dar maior estabilidade ao valor dos combustíveis, não vemos lógica em permitir reajustes em períodos inferiores aos fixados”, argumentou o parlamentar.
O PLP 11/2020 regulamenta a monofasia do ICMS sobre os combustível. Na prática, a proposta garante que a cobrança do imposto ocorra uma única vez na produção ou importação. Além disso, permite a adoção de alíquotas ad rem, que incidem por unidade de medida e não pelo valor da operação.
Com a promulgação do projeto, os estados poderão definir em conjunto uma alíquota sobre combustíveis, que seria aplicada por todos. Essa decisão será tomada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) até o fim de 2022.
A aprovação do projeto que modifica a tributação de combustíveis, no mesmo dia de ocorreu reajuste de preços pela Petrobras, indica que o Planalto conseguiu resistir a pressões e manter a redação idealizada pela equipe econômica antes da turbulência provocada pela guerra na Ucrânia.
A questão, no entanto, é que a proposta encontra resistência dos governadores, que a consideram o projeto inconstitucional. A mudança feita pelo relator na Câmara aumenta ainda mais essa insatisfação, já que o “gatilho” era justamente um mecanismo que dava uma espécie de garantia aos comandantes estaduais.
O texto do PLP 11/2020, que modifica a tributação de combustíveis, segue para sanção presidencial.
Mais detalhes sobre o projeto que modifica a tributação de combustíveis
– A implementação da monofasia prevista no projeto não é uma imposição aos estados. Caberá aos entes federados decidirem pela adesão ao sistema monofásico.
– A exceção é a criação de uma regra de transição para o diesel, com a fixação do valor de referência para tributação do combustível. A distinção ao diesel foi justificada pelo potencial inflacionário das altas no combustível.
– A regra de transição do diesel prevê que enquanto não for adotada a monofasia, e a correspondente unificação de alíquota, o valor de referência para estipulação do tributo será a média móvel dos preços médios praticados ao consumidor final nos 60 meses anteriores.
– A posterior regulamentação do ICMS dos combustíveis pelos estados e Distrito Federal deverá adotar alíquotas uniformes em todo o país, que podem ser diferenciadas por produto, e especificadas por unidade de medida adotada (ad rem), como por exemplo em reais por litro.
– Ontem, outro projeto que trata de combustíveis também foi aprovado pelo Senado e encaminhado à Câmara, o PL1472/2021. O projeto, que cria a Conta de Estabilização de Preços de Combustíveis e autoriza a implementação de um auxílio-gasolina, que também passou pelo Senado nesta quinta, segue sem previsão de análise pela Câmara.
Petrobras anunciou aumento no preço dos combustíveis e do gás
A Petrobras anunciou que a partir desta sexta-feira (11/3) o preço médio de venda da gasolina para as distribuidoras passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, um aumento de 18,8%. Já o preço médio do diesel passará de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, uma alta de 24,9%.
Quanto ao gás, o preço médio de venda do GLP para as distribuidoras foi reajustado em 16,1%. Agora o valor passará de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo.
Auxílio-combustível e vale-gás
O Senado também aprovou na quinta-feira dois o PL 1472/2021, que cria a Conta de Estabilização de Preços de Combustíveis, prevê um auxílio-gasolina e amplia o vale-gás.
O acordo para a aprovação do projeto levou à previsão no texto de um auxílio-gasolina voltado preferencialmente a beneficiários do Auxílio Brasil, com valores de R$ 300 mensais para motoristas autônomos e taxistas, pilotos de pequenas embarcações e motociclistas de aplicativo, e de R$ 100 para condutores de motos de até 125 cilindradas.
A implementação do auxílio-gasolina, no entanto, só é possível em 2023 dada a vedação legal de se criar programas do tipo em ano eleitoral. A ampliação do vale-gás, antes prevista no PLP 11/2020, também foi incorporada ao PL 1472/2020. Nesse caso, não há impeditivo para o início por se tratar de um programa já existente.
Agora, o PL 1472/2021 segue para a Câmara dos Deputados.
Conteúdo relacionado
ISS deve ser excluído da base do PIS Cofins-Importação sobre serviços, decide TRF3
A 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), por unanimidade, excluiu da base de cálculo do PIS e…
Leia maisPGFN lança novo edital de regularização tributária com descontos de até 65% apenas para esta semana
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) publicou um novo edital que estabelece condições especiais para regularização de débitos durante a…
Leia maisJustiça Federal libera o pagamento de RPVs a mais de 144 mil beneficiários
O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou aos Tribunais Regionais Federais (TRFs) os limites para o pagamento de Requisições…
Leia mais